Ponta Grossa: o uso político-eleitoral da Unidade de Pronto Atendimento Santa Paula.
Em sua passagem meteórica por Ponta
Grossa, no último dia 07, a senadora Gleisi Hoffmann criticou o governo
municipal pela inatividade da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa
Paula e pela perda daquela que seria construída no Jardim Carvalho.
Segundo a senadora e ex-ministra
chefe da Casa Civil da Presidência da República, “quando o prefeito pede uma
UPA, se compromete no projeto de colocar o custeio para funcionar, colocar
médicos, colocar o pessoal, só liberando com esse compromisso”. Sobre os
motivos do não funcionamento da UPA Santa Paula, a senadora acrescentou: “Infelizmente, não temos bola de cristal para adiantar o que ele vai fazer”.
Esta certíssima a senadora. O que
ocorre é que esse compromisso assumido pelos prefeitos quando pedem uma
Unidade de Pronto Atendimento não pode ficar apenas no papel. Como dizia meu
avô: "o papel aceita tudo". É preciso que haja demostração da capacidade não apenas orçamentária, mas e principalmente,
financeira do Município para assumir os encargos decorrentes de uma obra desse
porte. Sem isso, a obra não deveria ser autorizada.
No encerramento do governo do
ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho (PSDB), a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa ia de
mal a pior. Tão ruim que o ex-prefeito sequer lançou um candidato de seu
próprio grupo a sua sucessão. Aparentemente teria aceitado “apoiar” o candidato
Marcelo Rangel (PPS), em uma coligação com o seu partido (PSDB) sobre o qual já
não tinha nenhum controle.
Marcelo Rangel venceu, assumiu e
constatou o óbvio: a Prefeitura não tinha – e continua sem ter – condições de
por em funcionamento a UPA Santa Paula, apesar do compromisso assumido por seu
antecessor e “correligionário” Pedro Wosgrau Filho.
De fato, a Prefeitura Municipal
de Ponta Grossa está em sabida dificuldade financeira. O limite de gastos com
pessoal (chamado "limite prudencial") está praticamente estourado. Não
tem como contratar toda a equipe necessária para por a UPA Santa Paula em
funcionamento. E isso não é só culpa do prefeito Marcelo Rangel, como
decorrência da criação de novas secretarias municipais e novos cargos em
comissão. É culpa, principalmente, do ex-prefeito que assumiu compromisso
sabendo que não teria que cumprir, só para sair bem na foto, como se diz na gíria.
Pedro Wosgrau Filho disse
que o Município poderia assegurar o funcionamento da UPA, porque não seria dele a responsabilidade
pela mesma, mas de seu sucessor, fosse ele quem fosse. E o
governo federal, por sua vez, sem analisar profundamente a situação financeira
do Município de Ponta Grossa, correu risco desnecessário, tendo agora que pagar
a conta da impossibilidade técnica e financeira de por para funcionar uma
imensa estrutura que permanece como um elefante branco.
Por isso, não critico a atitude do
prefeito Marcelo Rangel em se negar a construir mais uma UPA no Jardim Carvalho
alegando a impossibilidade de suportar os seus encargos. Deveria, contudo, ter
se manifestado contra a iniciativa de seu antecessor (pois na época era
Deputado Estadual) de se comprometer com algo sem ter condições de dar conta
depois.
Em março de 2010, quando Wosgrau
anunciou a implantação de uma Unidade de Pronto Atendimento na Santa Paula,
nenhuma voz (nem mesmo da imprensa local) se levantou contra. Longe disso, todos queriam aproveitar os bônus
decorrentes do anúncio. Os problemas ficariam para depois!
Quando a UPA foi “inaugurada” sem
condições de funcionamento, uma vez que não contava com equipamentos ou
servidores, novamente ninguém foi contra. Ninguém disse nada. Todos se calaram. Na época, já se sabia que o custo
mensal para o funcionamento da UPA Santa Paula seria de mais de R$ 500 mil.
Contudo, ninguém indagou de onde todo esse montante seria tirado, já que a
Prefeitura Municipal não tinha recursos para tanto.
Começou 2013. Foram feitas adequações
e readequações orçamentárias, ou seja, assegurados os chamados recursos
gráficos (como dizia meu avô: “o papel aceita tudo”), mas nada de se apontar a
fonte e receita. O resultado é de todos conhecido: a UPA está lá, sem condições
de funcionamento.
De acordo com a Lei de
Responsabilidade Fiscal, os atos que criarem ou aumentarem despesa de caráter
continuado, isto é, que ultrapassem dois exercícios financeiros (como é o caso) devem ser instruídos com a estimativa do impacto orçamentário-financeiro
no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subsequentes e com declaração
do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e
financeira com a lei orçamentária anual (orçamento geral do Município, no caso) e compatibilidade com o plano
plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias, além de demonstrar a origem
dos recursos para seu custeio (o que é primordial, me parece).
No caso da UPA Santa Paula tudo
indica que isso não foi feito. O ex-prefeito apenas se comprometeu a
custear o funciomaneto da UPA, sem indicar quais recursos seriam utilizados para bancar tão relevante serviço público.
E deu no que deu!
A UPA Santa Paula ainda não
entrou em operação. E talvez nem tenha condições de entrar em operação, pela
absoluta falta de condições financeiras do Município de Ponta Grossa, apesar do
compromisso assumido – e ora destacado pela senadora Gleisi Hoffmann – pelo ex-prefeito
Pedro Wosgrau Filho.
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