As lições de André Vargas!


 A ascensão e queda de André Vargas - que de Vereador em Londrina, PR, chegou a Deputado Federal e Vice-Presidente da Câmara dos Deputados - traz algumas importantes lições para aqueles que almejam a carreira política, seja ela municipal, estadual ou nacional.

Vereador na cidade de Londrina eleito em 2000, André Vargas elegeu-se deputado estadual, em 2002, e já em 2006 ascendia à Câmara Federal, tendo sido reeleito em 2010, como o terceiro Deputado Federal mais votado do Paraná, com 151.769 votos.

Antes mesmo de ser Vereador, André Vargas foi presidente estadual do PT/PR, cargo que ocupou de 1998 a 2002, tendo sido reeleito nas eleições seguintes; em 2008 foi candidato a prefeito de Londrina, tendo obtido a 5º colocação.

Na Câmara dos Deputados, André Vargas rapidamente ganhou destaque, tendo sido eleito 1º Vice-Presidente da Mesa Diretora; caso fosse reeleito em 2014, André Vargas poderia vir a ocupar a Presidência da Câmara dos Deputados, dentro do acordo existente com o PMDB, com o que se tornaria substituto eventual da Presidência da República.

Tudo isto poderia ocorrer caso André Vargas não fosse flagrado em conversas com o empresário Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. As gravações, além de revelarem a surpreendente intimidade de André Vargas com um empresário acusado de operações suspeitas que remontam ao famoso caso Banestado - que envolveu remessas ilegais de divisas, pelo sistema financeiro público brasileiro, para o exterior, na segunda metade da década de 1990 e que foi investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito em 2003 - mostram o Deputado em atividades de tráfico de influência, além de ter sido agraciado com um jatinho particular que o levou, juntamente com a família, em viagem de férias pelo Nordeste.

Após uma defesa pífia na Tribuna da Câmara dos Deputados, onde chegou a afirmar que não sabia das atividades ilícitas de seu conterrâneo e que teria tentado pagar o combustível do avião, mas não teria conseguido, André acabou licenciando-se do cargo de Deputado Federal e, depois, renunciando ao cargo de Vice-Presidente da Câmara dos Deputados; por último, André Vargas, ex-todo poderoso do Partido dos Trabalhadores, desfiliou-se do Partido para não causar mais danos às candidaturas da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), no Paraná, do ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT/SP), em São Paulo, e da própria presidenta Dilma Rousseff, que busca a sua reeleição.

De concreto, a curta carreira política de André Vargas, sua ascensão e queda, deixam alguma lições para os políticos de todos os partidos. Primeira, é a necessidade de extremo cuidado com as amizades, sejam elas antigas ou novas. Segunda, é preciso não abusar da cortesia desses "amigos", especialmente quando estas envolverem extravagâncias como empréstimos de jatinhos, viagens de férias e promessas de riquezas. Terceira, telefones, sejam fixos ou celulares, internet, redes sociais, etc., estão sempre sujeitos a investigação, mesmo que esta não seja dirigida ao próprio político. Quarta, na democracia, ninguém é dono do cargo que ocupa, podendo dele cair a qualquer momento, não importando quão influente seja ou se julgue ser; aliás, neste ponto, cabe a velha máxima: quanto maior a altura a que se chega, maior é a queda que se apresenta.

Por último, uma interpretação invertida daquilo que os romanos exigiam à mulher de César (segundo os romanos, à mulher de César não bastava ser honesta, tinha que parecer honesta): ao político não basta parecer honesto, precisa ser honesto.

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