Ponta Grossa - Reforma Administrativa: uma possibilidade ou uma necessidade?
Ao
aproximar-se do fim da primeira metade de seu mandato, o Prefeito
Marcelo Rangel (PPS) enfrenta, além de uma profunda crise financeira
que foi agravada pela ausência de planejamento estratégico em
relação às ações do Governo Municipal, uma enorme crise política.
Há
um inegável descontentamento da população com o Governo Municipal.
Esse descontentamento, segundo fontes, já encontra reflexos até
mesmo em alguns dos secretários municipais, que não escondem a
frustração diante da inércia governamental e da falta de capacidade
de investimento em suas áreas de trabalho.
Já
está mais do que na hora do Prefeito Marcelo Rangel empreender uma
grande reforma administrativa, tanto para redefinir os rumos de sua
administração como para promover o enxugamento da imensa estrutura
de foi obrigado a compor para assegurar a governabilidade. O problema
é que a busca de governabilidade acabou comprometendo a sua própria
atuação como prefeito de uma das maiores cidades do Paraná,
paralisando todas as atividades municipais.
Hoje,
pode-se dizer que a Prefeitura de Ponta Grossa está sem rumo. O fato
de ter ficado sem dinheiro para pagar as contas é revelador da falta
de diálogo entre os seus diversos secretários, os quais, a bem da
verdade, servem a muitos senhores, de acordo com quem os indicou.
O
resultado, é uma colcha de retalhos que torna a máquina pública
ingovernável. Filiado ao Partido Popular Socialista (PPS), que
revelaria uma tendência à esquerda do espectro político, Marcelo
Rangel viu seu governo pender à direita de forma inexorável, como resultado de sua aliança com partidos conservadores como PSDB,
DEM e PSD, entre outros. Com isso, seu programa eleitoral que tinha
como foco investimentos sociais importantes, aos poucos foi perdendo fôlego, até ser quase deixado de lado.
Agora,
o governo municipal se vê forçado a agir por gravidade, apenas
mantendo o que já existia desde priscas eras, sem nada de novo a
apresentar para a população. E a figura do prefeito vai ficando
cada vez mais desacreditada e folclórica, a medida em que se põe a inaugurar faixa de pedestres elevada e reforma de posto de saúde.
Por
outro lado, com o passar do tempo, as 16 secretarias municipais, 4
autarquias, 2 sociedades de economia mista e 5 fundações, cujos
titulares têm status de secretários municipais, vão revelando o
exagero de uma estrutura que é cara e cada vez mais desnecessária.
Com
a elevação da Procuradoria-Geral à condição de órgão de
primeiro escalão, a Administração Municipal chegará a um tamanho
praticamente injustificável: serão 28 órgãos e entidades de hierarquia superior.
Neste
momento crucial, secretarias municipais como as de Administração e
Assuntos Jurídicos, de Gestão de Recursos Humanos, de Governo e de
Cidadania e Segurança Pública poderiam ser agrupadas em uma só,
sem nenhum comprometimento das ações desenvolvidas nestas áreas
pelo governo municipal; aliás, durante muitos anos, essas 4
secretarias municipais, além da própria Procuradoria-Geral
estiveram reunidos sob o comando do mesmo secretário.
De
seu lado, as secretarias municipais de Indústria, Comércio e
Qualificação Profissional, de Agricultura e Pecuária e de
Abastecimento poderiam voltar a formar uma única estrutura de
primeiro escalão, talvez denominada secretaria municipal de
Desenvolvimento Econômico.
Outras
estruturas que se revelam anacrônicas neste momento são a Agência
Reguladora de Águas e Saneamento Básico (ARAS), o Instituto de
Pesquisa e Planejamento Urbano (IPLAN) e a Agência de Fomento
Econômico de Ponta Grossa (AFEPON). A ARAS, criada na gestão do
Prefeito Pedro Wosgrau Filho, até agora não mostrou a que veio, até
mesmo por ser formada apenas por ocupantes de cargos em comissão.
O
IPLAN padece do mesmo vício. Seria um importante espaço para se
pensar a cidade de modo permanente. Contudo, com uma formação em que se destacam apenas ocupantes de cargos em comissão, se dissolve sempre que um novo
prefeito assume. Não consegue ter perenidade. Os projetos não
avançam. Por isso, o IPLAN poderia ser fundido com a Secretaria
Municipal de Planejamento, a qual tem um excelente quadro técnico,
composto por servidores municipais efetivos que poderiam contribuir - e muito -
para a construção e revisão periódica de um Plano de Desenvolvimento Urbano que fosse
permanente, independentemente de quem seja o mandatário municipal.
À
nova estrutura desse IPLAN poderia somar-se, também, a Autarquia
Municipal de Trânsito e Transporte, cuja finalidade tem tudo a ver
com o planejamento urbano, pois envolve planejamento de trânsito,
transporte público e gestão do estacionamento regulamentado.
Já
a AFEPON perdeu-se no tempo. Pensada originariamente para financiar
micros e pequenos empreendedores, transformou-se em fazedora de
pavimentação; agora, dedica-se à iluminação pública, colocação
de placas de nomes de ruas e logradouros, além de fazer reparos em
pontos de ônibus. Tais serviços poderiam ser facilmente absorvidos
pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos, sem nenhuma perda de
qualidade e com muita economia.
O
mesmo se pode dizer das fundações públicas. São 5 ao todo:
Fundação Municipal de Cultura,
Fundação Municipal de Esportes, Fundação Municipal de
Turismo, Fundação Educacional de Ponta Grossa - TV EDUCATIVA e
Fundação Municipal PROAMOR de Assistência Social.
Com
limitadíssimos aportes financeiros, a Fundação Municipal de
Cultura, a Fundação Municipal de Esportes e a Fundação Municipal
de Turismo poderiam ser agrupadas em uma só Fundação ou serem
transformadas em uma única secretaria municipal, que poderia,
também, comportar a Secretaria de Meio Ambiente, sem que
isto representasse perda da qualidade dos serviços que prestam. E a
economia ainda seria grande.
A
Fundação Municipal PROAMOR de Assistência Social, sem outra missão
além de gerenciar convênios celebrados com instituições de
assistência social, poderia facilmente ser reabsorvida pela
Secretaria Municipal de Assistência Social, uma vez que o Fundo
Municipal de Assistência Social tem os mesmos objetivos. A economia
seria grande e os serviços não sofreriam solução de continuidade.
Única
sobrevivente das fundações seria a Fundação Educacional de Ponta
Grossa - TV EDUCATIVA, por ser detentora da concessão da TV
Educativa de Ponta Grossa; mesmo assim, creio que poderia sofrer
profunda alteração em sua estrutura, para se transformar em uma
organização social, com o que poderia captar recursos privados para
patrocinar a produção de seus programas, em vez de ser
integralmente mantida pelo Poder Público.
A
Companhia de Habitação de Ponta Grossa (PROLAR) poderia voltar a
ser o que sempre foi: um Departamento de Habitação Popular da
Secretaria de Assistência Social, já que a sua atuação se resume
a fazer cadastros para a implantação de loteamentos e condomínios
populares. A Secretaria de Assistência Social mantém cadastro
multifinalitário derivado do desenvolvimento do Programa Bolsa
Família, do Governo Federal. Haveria uma enorme economia de recursos
financeiros e de tempo para a implantação de projetos sociais de
moradia popular.
Por
sua vez, a Companhia Ponta-grossense de Serviços (CPS) poderia ser
reabsorvida e voltar a ser um Departamento de Pavimentação da
Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, que, assim,
poderia receber uma nova nomenclatura: Secretaria Municipal da
Infraestrutura, responsável pela fiscalização das empresas
terceirizadas que são contratadas para realizar obras de
pavimentação e de recomposição de pavimentação.
Redesenhado,
o Governo Municipal passaria a contar com 13 (treze) órgãos de
primeiro escalão no lugar dos atuais 28 (vinte e oito), a saber:
Gabinete do Prefeito, Procuradoria-Geral, Controladoria, Secretaria
da Administração, Secretaria das Finanças (esse nome de secretaria
de Gestão Financeira não tem nenhuma justificativa, até mesmo
porque a atual Administração Municipal falhou exatamente neste
ponto), Secretaria da Assistência Social, Secretaria da Educação,
Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Secretaria da Cultura, do
Esporte, do Turismo e do Meio Ambiente, Secretaria da Infraestrutura,
Secretaria da Saúde, Instituto de Planejamento Urbano e Fundação
TV Educativa.
Com
a extinção de 14 (quatorze) órgãos e entidades de primeiro
escalão, um sem números de cargos em comissão de assessores e
diretores também desapareceriam (quem sabe uns 100, só para
utilizar um número redondo). Disto decorreria uma imensa economia
para o Município, inclusive em termos de locação de imóveis para o seu funcionamento, que
poderia, talvez, chegar a 10 ou 15 milhões de reais por ano. Isto, sem contar a economia em material de consumo (água,
café), transporte, etc, o que não seria nada desprezível.
É
possível aproveitar um tempo em que as possibilidades financeiras
encontram-se limitadas para se dar uma enorme guinada na
Administração Municipal, de modo a retomar o controle da máquina
pública, o que terá, sem a menor dúvida, um grande impacto
positivo na cidade e na população.
Encerro
com uma importante lição de Albert Einstein:
“Sem
crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada
um.”
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