Presidente e
ex-presidentes são citados em delações da Odebrecht (Foto: Roberto
Stuckert/Beto Barata/Adriano Machado/Mauricio Lima/PR/Reuters/AFP) Temer e todos os seus antecessores vivos estão entre os políticos delatados por ex-executivos da Odebrecht
As delações premiadas de executivos da Odebrecht citaram algumas das
figuras mais importantes da política recente no Brasil, mas nem todas já
são alvos de inquéritos na Justiça. Uma das suspeitas mais comuns é a
de receber ou cobrar propinas da construtora para campanhas eleitorais
em troca de favores políticos. Veja a seguir quais são as suspeitas
sobre os principais nomes que apareceram durante as investigações.
Michel Temer (PMDB), presidente da República
Com "imunidade temporária", o presidente não pode ser investigado por
crimes que não aconteceram no exercício do mandato. A Procuradoria-Geral
da República (PGR) não o incluiu na "lista do Janot", e por consequência ele também não é alvo de inquérito da "lista de Fachin", embora seja citado em 2 deles.
Suspeitas
- Ex-executivo da Odebrecht Márcio Faria diz que participou, em 15 de julho de 2010, de uma reunião comandada por Michel Temer na qual foi discutida a "compra do PMDB" por US$ 40 milhões.
- Marcelo Odebrecht disse que um jantar no Palácio do Jaburu com o então vice-presidente, em 28 de maio de 2014, foi como um "shake hands" (apertar de mãos, em inglês) para um acerto no valor de R$ 10 milhões da empreiteira para o PMDB.
- Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da empreiteira, afirmou que no mesmo jantar Temer solicitou "direta e pessoalmente" a Marcelo Odebrecht apoio financeiro para as campanhas do PMDB em 2014.
- Em declarações feitas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março, Marcelo Odebrecht também disse ter pago R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer na campanha de 2014.
Dilma Rousseff (PT), ex-presidente
A ex-presidente Dilma é citada em depoimento sobre repasse de caixa 2 e
irregularidades no relacionamento entre o governo federal e a
Odebrecht. Como a ex-presidente não tem mais foro privilegiado, as
informações foram enviadas para outras instâncias, que devem decidir se
abrem investigações para apurar as informações das delações premiadas.
Suspeitas
- Alexandrino de Alencar, ex-executivo da Odebrecht, citou pagamentos indevidos para a campanha presidencial de 2014. O dinheiro de caixa 2 teria sido pago por intermédio do assessor Manoel Sobrinho, a pedido de Edinho Silva, que foi tesoureiro da petista.
- Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, disse que pagou R$ 150 milhões para campanhas de 2010 e 2014 e afirmou que ela tinha conhecimento do "apoio".
- Em declarações feitas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março, Marcelo Odebrecht também disse ter pago R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer na campanha de 2014.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente
O ex-presidente Lula é citado em 6 petições enviadas à Justiça Federal do Paraná pelo relator da Lava-Jato no STF, Edson Fachin. Os documentos não mencionam valores, datas e os crimes supostamente cometidos.
- 8 executivos relatam que a Odebrecht teria custeado despesas do ex-presidente, como reformas em um sítio em Atibaia (SP), aquisição de imóveis para uso pessoal, instalação do Instituto Lula e pagamentos de palestras.
- Emílio Odebrecht disse que a reforma no sítio em Atibaia (SP) custou cerca de R$ 700 mil.
- Hilberto Mascarenhas e Alexandrino Alencar revelaram o pagamento de uma "mesada" a Frei Chico, irmão de Lula.
- Lula se comprometeu a intermediar conversas com a então presidente Dilma. Em troca, a empreiteira apoiaria empresas do filho do ex-presidente, Luís Cláudio Lula da Silva.
- Atuação em favor da Odebrecht na edição de medida provisória que excluía o Ministério Público Federal dos acordos de leniência e em obras da empreiteira em Angola.
- Marcelo Odebrecht disse que destinou milhões ao "amigo", codinome referente a Lula. Ele cita primeiro R$ 35 milhões, depois fala em R$ 40 milhões. O acerto teria sido feito com o ex-ministro petista Antonio Palocci, não diretamente com Lula.
- Marcelo Odebrecht também afirmou que Lula saiba de caixa 2 em campanhas eleitorais, mas que nunca teve negociação direta com ele.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-presidente
O ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato,
encaminhou à Justiça de São Paulo petição para investigar as acusações
sobre o ex-presidente FHC nas delações da Odebrecht. No documento, não
há informações sobre valores.
- Emilio Odebrecht, patriarca do grupo empresarial, relatou “pagamento de vantagens indevidas, não contabilizadas, no âmbito da campanha eleitoral” do tucano à Presidência da República em 1993 e 1997.
Fernando Collor (PTC), ex-presidente e atual senador
As delações da Odebrecht acrescentaram uma investigação à lista do ex-presidente Collor, que é alvo de um total de 6 inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Ele é o único ex-presidente citado pelos executivos que ainda tem foro privilegiado. Em outros inquéritos no STF, Collor é acusado de ter recebido propina da BR Distribuidora, empresa da Petrobras.
- Dois executivos da Odebrecht disseram que Collor recebeu R$ 800 mil não contabilizados para sua campanha eleitoral em 2010, pagos pelo Setor de Operações Estruturadas do grupo.
- Na lista de políticos beneficiados por propinas, Collor era assinalado com o apelido “Roxinho”. Em troca do dinheiro, ele defenderia principalmente interesses da empresa na área de saneamento básico.
José Sarney (PMDB), ex-presidente
O nome de ex-presidente e ex-senador aparece 3 vezes como um dos
beneficiários de contratos na execução da Ferrovia Norte-Sul, em Goiás,
segundo colaboradores da Odebrecht. As informações sobre Sarney foram
encaminhadas à Justiça de Goiás.
- Pedro Leão Neto e João Ferreira relataram que, em 2008 e 2009, houve pagamento de propina a agentes públicos pela participação na construção da Ferrovia Norte-Sul. Eles citaram 4% do valor do contrato, sendo que 1% seria destinado ao grupo político de José Sarney, representado por Ulisses Assada, diretor de engenharia da empresa responsável pela obra.
Resposta dos delatados
Todos os delatados negaram envolvimento direto com os fatos narrados nas delações premiadas. Como sempre, afirmam que são vítimas de perseguição, que suas contas eleitorais foram devidamente aprovadas, que não conhecem ou nunca estiveram com os delatores, que não podem se manifestar porque desconhecem os autos e respostas quejandas.
Com informações do portal G1 (http://g1.globo.com).
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