As sutilezas de uma campanha eleitoral
Aos poucos, a campanha eleitoral vai ganhando as ruas. Ainda tímida, uma vez que os partidos parecem apostar suas fichas no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, já é possível ver-se os indefectíveis “pirulitos” ganhando as ruas centrais da cidade, algumas placas espalhadas por diversos bairros, indicando os eleitores simpatizantes deste ou daquele candidato e uns poucos adesivos.
Alguns
candidatos a cargos majoritários também já estão abrindo comitês
eleitorais na cidade, com o objetivo de centralizar a chamada
campanha de rua, com as conhecidas “formiguinhas” que começam a
se espalhar pelas vias e bairros da cidade, entregando os santinhos
daqueles candidatos para os quais trabalham.
A
eleição mexe, inclusive, com o mercado de trabalho. É uma
oportunidade para aqueles que estão em busca de seu primeiro
emprego, para os que querem apenas fazer um bico e até mesmo para os
que já se aposentaram e aproveitam o período eleitoral para ganhar
engordar a aposentadoria.
Na
propaganda da maioria dos candidatos às eleições proporcionais
(deputados federais e deputados estaduais), o que se observa é a
eleição solteira ou, quando muito, com a indicação de
“dobradinhas”, em que a mesma placa e utilizada para
“propagandear” candidatos a deputado federal e a deputado
estadual.
Poucos
se arriscam a afixar, em suas placas e “pirulitos” o nome dos
candidatos aos cargos majoritários (governador, senador e presidente
da República). Somente os candidatos mais ideológicos, à esquerda
e à direita, fazem campanha casada com os candidatos a governador,
senador e presidente de seu partido ou da coligação nacional ou
estadual de que fazem parte.
Aliás,
nesse campo, o que se observa revela a triste realidade dessa
verdadeira sopa de letrinhas que se transformou a política
brasileira, onde 32 partidos políticos estão aptos a apresentar
candidatos, em coligações locais que, muitas vezes, não guardam
nenhuma correlação com as coligações nacionais. Seus candidatos
ficam na estranha situação de, em nível nacional, apoiarem
candidato a presidente da República que professa uma ideologia
completamente diferente daquela adotada pelo candidato a governador
do Estado.
Tenha-se,
por exemplo, um dos mais novos partidos brasileiro; o PROS (Partido
Republicano da Ordem Social). Em nível nacional, o PROS faz parte da
coligação encabeçada pela Presidente Dilma Rousseff (PT); já no
Paraná, o PROS indicou a candidata à Vice-Governadora da coligação
que apoia a reeleição do Governador Beto Richa.
Em
condição idêntica ao PROS estão o PP (Partido Progressista) e o
PR (Partido da República), que em nível nacional apoiam a
candidatura presidencial petista e, em nível estadual apoiam o
governador tucano.
Será
que os candidatos a deputado federal e a deputado estadual destes
partidos vão fazer campanha juntando, no mesmo barco, Dilma e Richa?
E esperar para ver.
Talvez
seja por estas sutilezas que a maioria dos candidatos a deputado
sequer menciona os candidatos majoritários apoiados pelas
respectivas legendas. Com candidaturas solteiras, quase avulsas, qual
será o desempenho destes candidatos que, literalmente, ficaram em
cima do muro?
Ainda
que não exista (nem possa existir) uma lei que determine a
similaridade das coligações em nível nacional e estadual (o chamado alinhamento), os
partidos políticos, por seus Diretórios Nacionais, deveriam tomar o
cuidado de estabelecer regras para as coligações, para que fosse
evitada essa situação em que seus candidatos proporcionais tenham
que defender candidaturas tão díspares entre si.
Afinal, o que se
espera é que as candidaturas guardem ao menos alguma correlação
ideológica entre si.


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